Lótus do Testemunho – Pessach “Páscoa”

O Lótus “shoshân” é uma flor proveniente da obscuridade dos pântanos, onde floresce em plena luz. Planta nascida naturalmente no campo, não necessariamente submetida ao cultivo humano e possui várias espécies. A espécie aquática, muito conhecida por sua beleza e significado, foi escolhida por “IHVH” Adonai para ser o símbolo de Pessach. Seu nome tem origem egípcia, e os hebreus conservaram como “shoshân”. Era a flor favorita dos faraós, portanto cultivada para fins decorativos, especialmente nas obras esculpidas. Seu desenho era frequentemente reconhecido por outros povos. Eles decoraram os capitéis do Templo em Jerusalém (I Rs 8. 19-22).

Salmo 80 “Lótus do Testemunho”

O salmista recorre à imagem do “shoshân” que floresce em luz como testemunho do clamor por salvação. Ao entardecer, ele se fecha como uma cápsula formada por quatro pétalas fortes em sua espessura e cor de cobre. Estas representam a natureza bruta do homem. Quando a “shoshân” desabrocha podemos assistir um esplêndido e admirável espetáculo de beleza. Essa é uma das espécies do Lótus, cultivada em Pedra Azul, cidade turística das montanhas capixabas. As quatro pétalas, que formam a cápsula, são um símbolo da redenção na Torah, referindo-se aos quatro verbos de resgate pronunciados por Elohîms ao tirar o povo hebreu do Egito: “(…) eu vos tirarei; eu vos salvarei; eu vos redimirei; eu os tomarei como nação.” Ex. 6:6-7 Provavelmente o poeta dirige-se a Elohîms antes da celebração da Festa de Pessach num clamor único para que Elohîms socorra seu povo em seus cativeiros e o liberte. O “shoshân” tornou-se então o Lótus da Páscoa: Flor símbolo de Pessach. A intensidade da proclamação dos nomes sagrados, encontrados no salmo se faz necessário, porque esse é um pedido jurídico, pois houve violação de preceitos, desrespeito e transgressão da Torah. Primeiro aparecimento do refrão, até o último dos quatro o nome de Elohîms será progressivamente reforçado (Sl. 80: 3-7, 14, 19) o apelo se faz assim, cada vez mais urgente e íntimo. “IHVH”, Adonai, Elohîms, Tsevaot, faz-nos retornar. Ilumina tuas faces, seremos salvos!” Sl. 80:19 O salmista conclui o salmo com o grande apelo; sob a sidentidade completa do Echad, o único, Elohîms.

Salmo 60 “O Lótus da Aliança”

É celebrado o episódio durante o qual Davi, com Joabe à frente do seu exército, destruiu dezoito mil edomitas no vale do sal, perto do Mar Salgado (II Sm. 8.2-13; I Cr. 18.1-17). O Lótus testemunhou a realização de um ato de vitória sobre os inimigos, dando-lhe validade legal. Depôs favoravelmente em favor do Rei Davi perante Elohîms. Prova material que o Rei julgou os povos, e submete-os, tornando-os servos. O canto poético é para instrução, formação do espírito com lições claras e práticas. Nossa realidade situa-se em nossa vocação Sagrada, de ser colocado em brecha e ser escolhido por IHVH Adonai, para abrir caminho enfraquecer a defesa dos povos que resistem a Elohîms. Também significa estar sempre atento às oportunidades que surgem, a fim de dar ciência às nações da Justiça de Elohim de Israel, instruindo-os judicialmente a respeito dos mandamentos, estatutos e regras da Torah. Toda salvação reside na intimidade com Hashem, ou seja, estar sob seu domínio, autoridade e influência. Assim, Israel e as nações aderem a Ele numa Fé única, ligados pelo amor que é a fonte de toda luz, que dissipa todo medo. Davi finaliza o salmo cantando Vitória, da entrada das nações no Pacto, por isso é chamado o “Lótus da Aliança”.

Salmo 45 “Sobre os Shoshanim”

Os Lótus são parte dessa obra, que embora não seja um elemento essencial, participa de sua decoração, ele enfeita e adorna. O poema dos abraços cerca e envolve a todos para as núpcias da alma que sai do exílio e se une a mais alta luz de “IHVH” Adonai. O salmo é creditado àqueles que amam o Eterno, que têm pureza, esplendor e perfume do Lótus. Também é dedicado ao Rei de Israel e à sua esposa, originária de um país estrangeiro. Dos versículos 2 ao 10 é descrito o esplendor do Rei e o brilho das Festas Bíblicas, que são chamados “Os encontros de “IHVH” Adonai” cujo objetivo e intenção é reunir o povo, para que ele tome consciência de “IHVH” Adonai em seu seio. Pessach abre o calendário anual dos Festivais e envolve toda a humanidade para celebrar esta união.

Os filhos de Korach são perspicazes ao descrever como eles mesmos se encontravam ao expor minuciosamente as núpcias do Rei. “Meu coração vibra à palavra do bem. Eu digo meus feitos ao Rei. Minha língua é o estilete de um escriba hábil.” Sl. 45.1 Bem-sucedido o empreendimento; a cavalgada contra seus inimigos que são também os inimigos de Elohîms. “Tua magnificência! Triunfa, cavalga pela palavra da verdade de humildade, de justiça. Ela te ensina os estremecimentos de tua direita.” Sl. 45.4 O poeta celebra depois de cumprir toda exaltação e louvor a Elohîms e ao Rei que o representa; ele ressalta a beleza da rainha, que para atingir a plenitude, passa por algumas etapas. Existe uma distância maior a ser percorrida devido às exigências para ajuste com a Torah. Um estrangeiro é o que não faz parte da família de Abraão, por desconhecer as leis e a Torah. (Dt. 21.10-14)

Nota-se, portanto, que a esposa deve romper com a sua origem estrangeira, e então integrar-se ao povo do qual se torna rainha. “Ouve filha, vê, estende teu ouvido; esquece teu povo, a casa de teu pai. O rei tem desejo de tua beleza; ele sim, é teu Adon. Prosterna-te diante dele”. Sl. 45.10-11. Por isso, torna-se altamente representativo o retorno das nações a Elohîms, como parte do povo de Israel. Não basta nacionalidade judia para ser considerado Povo Pacto. “Toda glória dela, filha do rei, é interior, vestida com os engastes de ouro de seu vestido.” Sl. 45.13 O cortejo nupcial conduz a esposa ao rei, na pureza de sua união. O abraço do marido que a recebe se une a ela no pálio nupcial que a cobre. Inundada de novas luzes, a rainha separada do seu passado idólatra renasce em sua identidade primeira: Filha de Elohîms. O poema dos filhos de Korach encerra com votos, sendo que o mais precioso é o de uma posteridade que perpetuará a dinastia real: continuidade. “Memorizarei teu nome em toda parte, de idade em idade, os povos te celebrarão assim em perenidade para sempre.” Sl. 45.17 Aqui o “shoshân” irá designar um instrumento decorador definitivo, pois aprendeu de cor, fixou na memória as lições espirituais, tornando-se um exímio revelador de perfeição naquilo que faz. “Lótus da Páscoa” Lótus de Pessach.

Autora: Sandra Mara Oliveira

CHAG PESSACH SAMEACH! FELIZ FESTA DE PÁSCOA!