Estudos Bíblicos (Texto) – Tu B’shvat – Ano novo das árvores

TU BISHVAT (ANO NOVO DAS ÁRVORES)

Sandra Mara Oliveira

Afinal, quantas vezes os judeus celebram o Ano Novo?

Segundo o calendário judaico são comemorados quatro “Anos Novos”.

Nissan - Na Bíblia Sagrada este é o primeiro mês do ano – “Este mês será para vós o primeiro mês, o primeiro mês do ano.” (Ex 12:2). Mês da Festa de Pessach (Páscoa), que marca a comemoração da passagem da escravidão para a liberdade. O tempo é contado a partir do momento que passamos a ser livres.

Elul - “Ano Novo do Gado”. No primeiro dia deste mês, retirava-se o dízimo (um décimo dos animais nascidos nos últimos 12 meses) e doava-se ao Templo em Jerusalém.

Tishrei - Sétimo mês bíblico – “Dize aos filhos de Israel: No sétimo mês, ao primeiro do mês, tereis descanso solene, um memorial com som de trombeta, santa convocação. Nenhum trabalho servil fareis, mas trareis oferta queimada ao Eterno.” (Lv 23:24-25). É considerado o começo do Ano Civil Judaico, por ser o mês da criação, uma espécie de aniversario do Mundo e do homem, quando o julgamento Divino para com os seres humanos acontece. Ele também marca o início da contagem da Shemitá (Ano Sabático); do lovel (Jubileu, quando eram libertos os escravos e as propriedades voltavam às mãos dos donos originais); da Orlá (três (3) anos a partir do plantio de uma árvore frutífera, durante os quais não se pode comer seus frutos) bem como do ano para cálculo do dízimo da colheita de vegetais e grãos. (Por curiosidade, você sabia que estamos em ano de Shemitá?)

Tu Bishvat - No calendário judaico, o dia é fixo e define o nome da festa. “TU” é a sigla formada, em hebraico, pelas letras “Tet” (ט- corresponde ao nº 9) e “Vav” (ו – corresponde ao nº 6); a combinação destas duas letras totaliza o número 15. Shevat é o nome do mês que, pelo calendário judaico, ocorre no fim do inverno. Tu Bishvat então, refere-se ao 15º dia do mês de Shevat.

Este dia é significativo porque nesta época, as chuvas de inverno já caíram na terra de Israel, então podemos vislumbrar uma época mais calorosa, com o surgimento de frutas deliciosas que lá nascem. Por esta razão, Tu Bishvat é considerado (Ano Novo) para as árvores frutíferas, ou seja, como um “Ano Novo” e um dia de julgamento. Em Tu Bishvat, o Eterno decide quão frutíferas serão as árvores no ano vindouro.

A Torah faz a conexão do homem à terra -“O homem é como a árvore do campo”. A Torah compara o ser humano às árvores (é proibido danificar uma árvore que dá fruto). “Quando sitiares uma cidade por muitos dias, combatendo contra ela para a tomar, não destruas as árvores (que dão fruto) metendo nelas o machado, porque do seu fruto comerás. Não as cortarás…” (Dt 20:19-20).

Yeshua (Jesus) nos ensina que a árvore que dá fruto deve ser podada, não cortada. “… todo ramo que produz fruto Ele o poda, para que produza mais fruto ainda.” (Jo 15:2b)

Assim como as pessoas são julgadas em Rosh Hashanah, as árvores são julgadas em Tu Bishvat. Nesta data, é uma boa oportunidade para pensarmos nos exemplos que as árvores nos inspiram.

A árvore, assim como o homem, é composta de: raízes, tronco e frutos

Raízes - Não se vê, estão escondidas sob a terra, mas é delas que a árvore tira sua força e vitalidade. Quanto mais fortes forem as raízes, mais forte será a árvore. É a raiz que sustenta a árvore. Israel é a raiz, pois são eles os guardiões da Torah – fonte de nutrição, força e vida espiritual para todos judeus e gentios, diz o apóstolo Paulo – “… fostes enxertados no lugar deles, e frutos participantes da raiz e da seiva da oliveira não te gloriem contra os ramos. Se contra eles te gloriares, considera isto: não és tu que sustenta a raiz, mas a raiz a ti.” (Rm 11:17b,18). São nas raízes que o homem, pela fé, absorve todo o entendimento da Palavra de Elohim.

Tronco - É a parte mais evidente da árvore e por onde também o homem se define, ou seja, é do tronco que surgem os ramos (galhos) da árvore anunciando, demarcando e fixando características bíblicas judaicas da fé. O tronco com os ramos possuem a finalidade de mostrar ao mundo que os frutos produzidos vêm de Elohim.

Fruto - A árvore só atinge sua plenitude quando começa a dar fruto – “O fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio.” (Gl 5:22-23)

Yeshua diz: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, mas negligenciais o mais importante da lei, a justiça, a misericórdia e a fé. Devereis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas.” (Mt 23:23) – Fruto da Justiça, misericórdia e da fé – sendo assim, nos tornamos árvores sólidas, curvadas (humildes) pelo peso dos frutos.

COSTUMES EM TU BISHVAT

1. Plantar uma árvore – Assim fazendo, aproximamos as pessoas da “Terra de Israel” por ser este um costume judaico; também praticamos o reflorestamento, mostrando ao mundo que esta é uma prática ecológica muito antiga.

2. Celebrar preparando uma mesa com frutos, especialmente os sete enunciados na Torah – “como especiais de Israel: trigo, cevada, uva, figo, romã, azeitona e tâmara.” (Dt 8:8). Podemos também usar frutos diferentes – uma fruta da estação para que possamos cumprir e manter a mitzvah (mandamento).

Bênção dos Frutos - Baruch ata Adonai Eohenu melech haolam bore peri haets. B’Shem Yeshua HaMashiach. Amen.

Tradução: Bendito és Tu, Eterno, nosso Elohim, Rei do Universo, que criaste o fruto da árvore. Em nome de Yeshua, o Messias. Amém.